Distopia na Comissão Europeia: criticar é conspirar
Celebrou-se, no passado dia 9 de Maio, o Dia da Europa, o dia em que foram lançadas as bases da União Europeia, com uma das mais belas declarações – Declaração Schuman – fundamentada em dois princípios essenciais: paz e solidariedade. Mais do que uma celebração, porém, foi apenas um aniversário que tem vindo a passar cada vez mais despercebido pela maioria, com pouca repercussão por parte das forças políticas e dos media, e a absoluta indiferença dos cidadãos.
As razões para o alheamento dos cidadãos em relação à UE não deviam surpreender ninguém, não só devido ao chamado “défice democrático”, que impede os cidadãos europeus de terem uma palavra a dizer sobre as decisões ali tomadas, mas também porque, a UE, está hoje dividida entre o bem e o mal. Entre a utopia e a distopia. Um maniqueísmo de que falava Jacques Delors e contra o qual a UE deveria lutar, para evitar tornar o projecto europeu de paz e solidariedade, num projecto orwelliano.
Não é segredo para ninguém que a Comissão Von der Leyen tem um problema sério com a liberdade de expressão. Já abordei aqui o assunto diversas vezes, pois, infelizmente, a lista de violações da liberdade de expressão na UE é interminável. Pior ainda é o facto de a vigilância dos cidadãos europeus ter vindo a atingir um grau de perfeição com que, no século XX, o KGB e a Stasi só podiam sonhar. Uma vigilância que se imiscui em todos os recantos da nossa vida.
Sobre isto, Hannah Arendt dizia, já em 1975, o que havia a dizer: falou, em Copenhaga, da “pressão de uma modificação que se esboça em........
