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Eles falam em nome de quem?

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13.08.2026

Antes de entrar no cerne da questão que hoje aqui trago, cumpre-me deixar um agradecimento institucional e pessoal ao Observador. Num espaço mediático tantas vezes condicionado pelo medo e pelo seguidismo, a publicação continuada dos meus artigos é um acto de coragem editorial que importa sublinhar. Sei bem — e o Observador também o sabe na pele — o preço que se paga por dar palco ao contraditório: os ataques são constantes, as tentativas de silenciamento são ferozes e a rotulação é imediata.

No entanto, convém recordar que combato a ideologia de género há mais de dez anos. Ao longo desta década de debate público, nunca odiei ninguém e nunca, mas mesmo nunca, relativizei ou menosprezei o sofrimento profundo de homens e mulheres que padecem de um transtorno da identidade sexual. Esta é uma condição séria que exige um acompanhamento médico de excelência — algo que, aliás, existia em Portugal antes de as políticas de esquerda terem adoptado a causa “trans” como bandeira ideológica. O que estas pessoas precisam é de cuidados clínicos rigorosos, e não de um transactivismo cego ou de tratamentos superficiais que não tratam o transtorno na raiz, limitando-se a mascará-lo com hormonas, bisturi e propaganda.

É precisamente sobre a distorção desta realidade que hoje escrevo.

Há dias, uma pessoa contactou-me. A Joana (nome fictício) enviou-me uma mensagem a perguntar se eu tinha disponibilidade para conversar com ela sobre a questão trans, pois identificava-se muito com o que tenho lido e escrito sobre o assunto. Marcámos uma vídeo-chamada, já que ela fez questão de sublinhar que prefere falar olhos nos olhos. Quando a ligação se estabeleceu, uma jovem mulher apareceu no ecrã. Depois de nos cumprimentarmos, disse-me de forma directa: ‘Sou uma rapariga........

© Observador