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O insustentável peso da mochila vazia

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07.02.2026

Decidir é um acto de solidão absoluta.

Conta-se que, numa manhã, na preparação de uma missão de uma determinada unidade das Operações Especiais das Forças Armadas, deu-se uma lição que mostra bem o abismo que existe entre a percepção do poder e a realidade da liderança. Um jovem oficial, prestes a embarcar estranhou um detalhe enquanto verificava o seu equipamento. A sua mochila estava significativamente mais leve que a dos homens sob o seu comando. O jovem tenente ficou incomodado com a disparidade física, pois parecia-lhe uma injustiça, um privilégio “quase burguês”, no meio de uma austera e difícil missão.

Ao partilhar esse desconforto com um velho sargento, recebeu uma resposta que desarma qualquer ilusão romântica: “Não se preocupe, Comandante. O seu peso não é físico. O peso que carrega é outro. É a solidão do comando.”

Esta “solidão” não é uma mera metáfora. Recentemente, a realidade cobrou o seu preço mais alto no Centro de Tropas de Operações Especiais (CTOE) do Exército, em Lamego. A morte de um jovem militar durante uma prova não é apenas uma notícia de rodapé, é a materialização brutal do peso daquela........

© Observador