Moral da história
Em 1981, no Japão, Taiichi Ohno, considerado o principal responsável pela criação do Sistema Toyota de Produção, reparou num padrão da fábrica. Havia as equipas “estrela”, que batiam todas as metas de produção, e as equipas “lentas”, que paravam a linha constantemente.
A intuição mandava premiar, com bónus, os mais rápidos. Ohno fez o contrário.
Ele percebeu que os “campeões” estavam a cortar caminho. Passavam por cima de defeitos, empurravam o lixo para a frente e focavam-se unicamente no bónus, não na qualidade. Já os “lentos” eram os únicos a ter a coragem para parar a linha, assumir a falha e corrigir o processo na origem. O meio é tão, ou mais importante que o fim.
Durante trinta anos, a Europa foi a equipa “estrela”. Fizemos o mais fácil. O mais barato. O mais rápido. Guardámos os dados em servidores alheios. Construímos a nossa economia digital sobre plataformas americanas e a nossa indústria sobre energia barata russa e manufatura chinesa, ou seja, subcontratamos a nossa segurança aos EUA, a nossa energia à Rússia e compramos “coisas” aos chineses. Acreditámos que o comércio evitava a guerra. Parecia eficiente. Os números batiam certo. O “bónus” da paz perpétua parecia garantido. Parecia eficiente, até deixar de ser.
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