A ilusão do facilitismo
O Ministro Fernando Alexandre justifica a redução da obrigatoriedade dos exames nacionais com a necessidade de garantir o acesso. O diagnóstico está correto: há barreiras injustas no acesso, mas a solução apresentada é um erro pedagógico. Ao retirar a obrigatoriedade de múltiplas provas, não estamos a resolver as assimetrias do sistema; estamos apenas a partir o termómetro para não ver a febre.
Há uma confusão perigosa no discurso atual: a ideia de que facilitar a avaliação ajuda os mais desfavorecidos. É precisamente o contrário. Num sistema onde as notas internas variam drasticamente entre escolas (e, notoriamente, entre o ensino público e o privado), os exames nacionais são a única ferramenta de calibração. São o único momento em que o aluno de uma escola no interior e o aluno de um colégio de elite em Lisboa são avaliados pela mesma régua.........
