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O apoio da direita a Seguro não é um cheque em branco

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30.01.2026

“Descarnado de alma / Mas mantendo a calma”

“Ao Soldado Desconfiado”, GNR (1986)

1 Quando António José Seguro apresentou a sua candidatura presidencial nas Caldas da Rainha, as elites bem pensantes do Partido Socialista fizeram aquela cara de nojo habitual perante a ousadia de quem se atrevia a enfrentar a quase unanimidade dos costistas, da ala esquerda socialista e dos seus naturais aliados do PCP, Bloco de Esquerda e Livre. Luminárias da esquerda bem pensante — como Augusto Santos Silva, Marta Temido, José Vieira da Silva e a sua filha Mariana, entre muitos outros — diminuíam Seguro e recusavam apoiá-lo.

A metáfora perfeita da tradicional soberba e arrogância destes socialistas de bem era a posição de Augusto Santos Silva. O homem que foi ministro de Guterres, de Sócrates e de Costa conseguiu a proeza de não conseguir ser eleito como deputado nas legislativas de 2024, mas dizia que Seguro “não cumpria os requisitos mínimos” para ser o candidato apoiado pelo PS. Mas que ele, Santos Silva — que tinha perdido o seu mandato para essa grande figura da política nacional chamada Manuel Magno Alves (do Chega) —, era a figura ideal para representar a área socialista nas presidenciais.

Apesar de uma boa parte dos meus colegas comentadores apoiarem estas visões pseudo-elitistas, sempre defendi que era inquestionavelmente o melhor candidato que o PS poderia apresentar ao eleitorado. Precisamente pelas razões opostas às das luminárias bem pensantes.

Além do seu passado como líder do PS e da Juventude Socialista, sempre ligado à corrente social-democrata/trabalhista que caracteriza o centro-esquerda em Portugal, Seguro era (e é ) uma das poucas personalidades socialistas que consegue dialogar com o centro-direita, como demonstrou no tempo da troika.

Aquilo que era cadastro para os socialistas que querem promover uma espécie de aliança histórica entre o PS, o PCP, o Bloco e o Livre — o que contraria toda a história do PS —, era, obviamente, um enorme ativo político num novo ciclo político, em que o país virou claramente à direita nos últimos atos eleitorais.

Obviamente que agora as luminárias mordem (bem mordida) a língua e, como bons oportunistas, escondem o seu desprezo........

© Observador