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Medicamentos para a obesidade: o que urge esclarecer

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15.08.2026

Há dois anos, quase ninguém sabia o que era um agonista do recetor de GLP-1. Hoje, é difícil não conhecer alguém a tomar um destes medicamentos — cujas substâncias ativas se chamam semaglutido e tirzepatido, comercializados sob diferentes marcas consoante a indicação (diabetes ou obesidade) e o fabricante — para a diabetes, para emagrecer, ou pelas duas razões ao mesmo tempo. São medicamentos genuinamente notáveis: reduzem o peso corporal em proporções que, até há pouco tempo, só a cirurgia bariátrica conseguia atingir. Mas há uma questão que habitualmente não se coloca na conversa entre indivíduos, sobretudo os mais idosos, e que urge esclarecer: o peso que se perde é só gordura ou é também músculo?

A resposta a este quesito está muito bem sustentada em vários estudos publicados nos últimos anos. E é incómoda: uma fração relevante do peso perdido com estes medicamentos é massa muscular — nalguns casos, cerca de 35% a 40% do total. Isto não seria grave num adulto jovem e saudável, mas em indivíduos com mais de 65 ou 70 anos, que já perdem massa muscular naturalmente com a idade, essa perda extra pode condicionar o indivíduo para uma entidade clínica que tem nome próprio na literatura médica, mas que quase ninguém conhece fora dos hospitais: obesidade sarcopénica.

Chama-se assim à combinação de excesso de gordura com perda de força e de massa muscular na mesma pessoa. Não é........

© Observador