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Marcelo ou a frivolidade de duas Presidências

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09.02.2026

Sobre o primeiro mandato, já escrevi aqui no Observador em 19.12.2020. Cabe agora no fim deste segundo mandato olhar retrospectivamente para o que foi o exercício do cargo.

Em boa verdade, todas as prioridades elencadas por Marcelo em 2021 no seu discurso de tomada de posse falharam. No início deste mandato, o atual Presidente recebeu ainda mais votos que no primeiro mandato. Mais de 60% dos eleitores passaram-lhe um verdadeiro cheque em branco depois dos resultados da primeira eleição em 2016 com 52% dos votos. Eu defendo que não tirou as ilações da confiança renovada pelos portugueses.

A grande questão é saber se o País fica melhor ao fim de 10 anos de Marcelismo? A resposta para mim é óbvia e se é verdade que um Presidente da República não governa nem faz leis, o cargo é decisivo no nosso regime semipresidencialista.

Se alguém acha que os artigos 120.º e seguintes da Constituição da República Portuguesa não têm qualquer relevância ou dos mesmos não se deve retirar ilações da autoridade que advém do seu estatuto, então digo que mais vale optar pelo parlamentarismo, sistema de governo este onde infelizmente não temos grande tradição, e esquecer de vez o nosso sistema misto de governação, que se foi moldando durante as sucessivas revisões constitucionais de 1982,1989 e 1997.

No que concerne à sua primeira prioridade de defender uma democracia com mais tolerância, Marcelo esbarrou no crescimento do Chega e na implantação deste partido como a segunda força partidária em número de Deputados (terceira em número de votos). É preciso recordar que António Costa governou de forma ininterrupta de 2015 a 2023 e que os seus mandatos coincidem com o crescimento do Chega.

É nesse período do “Costismo”, que colapsam ou se deterioram de forma inexorável vários serviços públicos, em que se acentua a morosidade da Justiça, a desorganização estrutural do SNS e a deterioração da escola pública; onde os cidadãos assistem, perplexos, a uma imigração sem controlo, a uma crise habitacional sem solução à vista, a um crescimento económico anémico com um brutal desinvestimento público, e a uma produtividade que não nos deixa aproximar dos níveis de vida dos nossos parceiros europeus; para não falar da burocracia crescente e asfixiante do........

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