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Fiz 50 anos de jornalismo. Adoro que faço, não o que fazem

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13.07.2026

1 Fez agora 50 anos que comecei a trabalhar nos jornais: o primeiro em que escrevi foi publicado no princípio de Julho de 1976. Tinha chegado à sua redação uns dias antes procurando uma forma de ganhar a vida – com 19 anos já era pai, a militância política estudantil não me punha comer na mesa da família. Recordo-me que o meu primeiro ordenado era diminuto, o equivalente ao salário mínimo da altura, quatro contos, algo que, com correcção monetária, hoje equivaleria a 569 euros. Não daria para viver sem o apoio familiar que tinha, mas foi um começo.

O jornal em que me estreei tinha um nome que era todo um programa: chamava-se “25 de Abril do Povo”, nascera como semanário com a ambição de se tornar diário mas morreria pouco depois, publicando apenas 11 números. O projecto – fazer reviver a campanha eleitoral de Otelo nas Presidenciais de 1976 – revelar-se-ia um enorme fiasco, o que significa que poucas semanas depois desta minha estreia já estava de novo desempregado. Felizmente a política proporcionava outras oportunidades, pelo que fui andando por várias publicações militantes até à sua bancarrota final e ao momento em que fui bater à porta da imprensa profissional (quem quiser mais detalhes sobre estes meus anos de militância adolescente e juvenil pode sempre encontrá-los em “Era uma Vez a Revolução”).

Quando bati à porta do Expresso no início da década de 1980, num tempo de sérios apuros financeiros, não só os tempos da revolução e da imprensa mais militante estavam a ficar para trás, como eu próprio já me tinha afastado dos meus desvarios juvenis ao perceber o imenso logro que era a utopia comunista – uma trágica e mortal ilusão, uma catástrofe onde só por deliberada cegueira se podia continuar a acreditar.

Tenho boa memória do primeiro artigo que propus para publicação: era sobre alterações climáticas – chamava-se “Secas e inundações, frio e calor: quem tem mão no tempo?” e saiu a 16 de Maio de 1981, ou seja, há mais de 45 anos – e o tema era tão novo que o texto esteve algumas semanas à espera de ter luz verde para ser publicado, para meu desespero.

Sei também que nessa altura ainda não tinha a certeza de querer ser jornalista toda a vida. Tinha voltado a estudar pouco tempo antes – depois de ter entrado em Medicina optei pelo meu tema de paixão, a Biologia – e estava convencido que um dia me cansaria deste mundo da informação, pelo que necessitaria de outra profissão. O mínimo que posso dizer é que não foi isso que aconteceu, pelo contrário: como a Coca-Cola na famosa frase de Pessoa, isto foi qualquer coisa que ao princípio estranhei, e depois se me entranhou.

2 Ao longo destes 50 anos fiz de quase tudo, de todos os géneros, em todos os suportes, passando por todas as secções........

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