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A cobardia dos políticos que desconhecem o Estado de Direito

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26.10.2026

Há duas semanas que manifestantes ocupam, ou tentam ocupar, duas praças centrais das nossas principais cidades, Lisboa e Porto, e há duas semanas que desafiam uma legislação tão antiga como a democracia, tratando de montar tendas e de prolongar os protestos noite dentro.

Há duas semanas que as autoridades enquadram sem qualquer limitação as manifestações que esses grupos vão organizando, mas ao mesmo tempo vão dizendo que não podem tolerar a ocupação de praças públicas por dezenas ou mesmo centenas de tendas, da mesma forma que não podem tolerar a grafitagem ou mesmo a vandalização dos monumentos existentes nessas praças.

E há duas semanas que assistimos, com pequenas variações, ao mesmo filme: quando a noite cai a polícia apela a que os manifestantes recolham as tendas e permitam que aqueles espaços sejam limpos, um apelo que repetem e repetem até que, duas vezes no Porto e duas vezes em Lisboa, as forças de intervenção avançam, os manifestantes organizam cordões para resistir à ordem das autoridades, atiram objectos, queimam caixotes do lixo ou fazem rebentar petardos. Tudo “pacificamente”, claro está.

(Na noite de Lisboa este fim-de-semana o Observador filmou do princípio ao fim o avanço da polícia até afastar os manifestantes do Rossio – ver os oito minutos de filme é muito instrutivo sobre a forma profissional mas firme adoptada pela PSP na sua intervenção.)

Face a estes factos, que nos diz José Luís Carneiro? Que “a repressão” de “manifestações pacíficas” é “imprópria nas sociedades democráticas”. E que nos acrescenta Jorge Moreira da Silva, que até foi candidato à liderança do PSD? Que “esta carga policial contra protestos pacíficos” é “injustificável”.

Por outras palavras: para estes dois responsáveis políticos a ocupação do........

© Observador