Hillbilly Eulogy e os Sábios de Sião
Nos EUA, o Partido Democrata está a braços com um sério problema de antissemitismo e JD Vance passou os últimos meses a negar que o mesmo fungo tivesse encontrado alojamento, comida e roupa lavada numa ala cada vez mais ruidosa do Partido Republicano.
Quando muito, admitia a existência de alguns rapazes exaltados, uns podcasters imaginativos e meia dúzia de criaturas que, com a regularidade das marés, sugeriam que o Holocausto não fora exactamente aquilo que se diz, que os judeus controlavam a imprensa e que Nick Fuentes era apenas uma espécie de escuteiro com azar nas metáforas raciais.
Quando Tucker Carlson carimbou Fuentes como pessoa respeitável, Vance não viu motivo para alarme. Quando Candace Owens desceu de lanterna na mão aos subterrâneos das teorias da conspiração sobre os judeus, Vance assobiou para o ar, falou de liberdade de expressão e respondeu com banalidades retóricas sobre o exagero, a censura e a necessidade de não expulsar ninguém da grande tenda conservadora.
A grande tenda começou por acolher eleitores descontentes, depois acolheu excêntricos, a seguir lunáticos e acabou com vários antissemitas junto ao palco, a vender amendoins.
Vance só pestanejou quando Fuentes lhe chamou “traidor racial” e perguntou que espécie de homem casa com uma mulher chamada Usha. Descobriu-se então que o vice-presidente sabia, afinal, distinguir o bem do mal. Precisava apenas que o mal lhe tocasse à campainha.
A retórica de Vance é conhecida. Que sim, respeita os judeus, mas recusa condenar ou sequer discutir as diatribes antissemitas dos seus aliados. Que não é antissemita e que tem até um enorme respeito pela religião judaica, como se o antissemitismo fosse uma divergência teológica acerca do Talmude.
Como é sabido, muitos antissemitas históricos garantiam nada ter contra a religião. O problema deles era apenas o judeu vivo, com o deplorável hábito de não pedir licença para existir.
Enfim, parece evidente que JD Vance, ou detesta judeus, ou sente por eles um respeito tão profundo que prefere mantê-los a uma distância considerável.
Entretanto, Donald Trump encarregou-o de negociar com o Irão. JD Vance, subitamente aos comandos da alta política, viajou entre capitais e produziu, em Junho, um memorando com a consistência estratégica de uma gelatina deixada ao sol.
O documento reconheceu ao Irão autoridade para decidir matérias relativas à soberania do Líbano e à segurança de Israel, sem que os respectivos governos fossem sequer consultados. Israel, cuja segurança era directamente afectada, recebeu o pacote como um homem recebe a notícia de que os bombeiros chegaram a acordo com o incendiário e........
