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A Hungria connosco

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08.04.2026

No próximo domingo disputam-se eleições fundamentais para o destino da Europa. A Hungria, governada por Viktor Orbán há mais de quinze anos, parece estar, pela primeira vez, genuinamente em risco de ruptura eleitoral — ou assim sugerem as sondagens. Estaria, pois, em causa o fim do autoritarismo competitivo que, ao longo de uma década e meia, corroeu de forma sistemática o pluralismo, a neutralidade institucional e a paridade de condições de competição que constituem o alicerce de qualquer democracia liberal.

Durante décadas, pensámos os regimes políticos de forma binária: democracia ou autoritarismo. Depois da enorme esperança suscitada pela Terceira Vaga de Democratização, foram emergindo, de forma cada vez mais recorrente, os regimes que Steven Levitsky e Lucan Way designaram de autoritarismo competitivo. É este, hoje, o regime vigente na Hungria. Neste tipo de ordem política, as eleições realizam-se com regularidade, mas são marcadas por fraude e manipulação sistemática das regras eleitorais. Os tribunais preservam uma aparência de independência, mas estão sujeitos a nomeações politicamente orientadas que os transformam, na prática, em câmaras de eco do executivo. A comunicação social mantém uma fachada de pluralismo, mas enfrenta regulação selectiva e pressão publicitária por parte do Estado, mecanismos que conduzem inevitavelmente à autocensura ou ao encerramento dos órgãos verdadeiramente independentes.

Em 2010, chegado ao poder com uma supermaioria, Orbán redesenhou o mapa eleitoral de forma a favorecer sistematicamente as zonas rurais, onde o........

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