A Guerra de Donald Trump
Há uma tentação quase automática — e confesso que a compreendo — de encaixar qualquer ação americana no Médio Oriente no molde do passado recente: “mais uma guerra”, “mudança de regime”, “o mesmo filme”. Mas essa leitura, hoje, é preguiçosa. E pior: impede-nos de perceber o que está realmente em jogo.
O que está a acontecer com o Irão (e a forma como Donald Trump enquadra este dossier) não se entende apenas com as categorias habituais da política externa. Entende-se melhor se subirmos um degrau e olharmos para a arquitetura: a ligação entre energia, finanças, cadeias logísticas e segurança. Trump, goste-se ou não, não pensa como um professor de relações internacionais. Pensa como um construtor: alicerces, fluxos, custos, dependências e — acima de tudo — resultados.
Por isso, quando se fala em “desmantelar o regime iraniano”, convém não cair na caricatura. Não se trata, necessariamente, do modelo clássico “instalar um governo amigo” com ocupação e administração estrangeira. Trata-se de outra lógica: retirar oxigénio a um sistema — financeiro, militar e político — até ele perder capacidade de coacção interna e de projeção externa. É menos “invasão” e mais “estrangulamento”. Menos “tomar o país” e mais “tirar-lhe o volante”.
O Irão é um nó. Não é apenas um Estado com ambições regionais; é um mecanismo de instabilidade com múltiplas ramificações: proxies armados, dissuasão assimétrica, ameaça às rotas marítimas, chantagem energética e, acima de tudo, a ameaça nuclear. E aqui há um ponto que raramente se diz com........
