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Bruxelas – atentados sem autor

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04.04.2026

Passaram 10 anos. Em 22 de Março de 2016, os atentados terroristas cometidos em Bruxelas, nomeadamente no aeroporto de Zaventem e na estação do metropolitano de Maelbeek, causaram 39 mortos e 340 feridos. Os autores eram terroristas islâmicos, e o país, até ver, era europeu e cristão.

Julgar-se-ia que a data desse acontecimento ficaria marcada na memória colectiva do país. Vã esperança. O principal monumento que assinala o dia foi inaugurado um ano depois do atentado. Ficou dado o mote e institucionalizada a necrose colectiva. No seu sítio, o artista, Jean-Henri Compère, apresenta a obra. A retórica pocha realça o vazio das frases, uma a seguir à outra. «Feridos, mas sempre de pé face ao inconcebível» [Blessés mais toujours debout face à l’inconcevable]. Feridos e mortos, e o inconcebível foi realizado. Que quererá dizer J-H Compère? A resposta precisa-se na linha seguinte. «Erguermo-nos como cidadãos do mundo contra a ignomínia, o absurdo, o horror, um face ao outro, num diálogo perpétuo» [Se dresser en citoyen du monde contre l’ignominie, l’absurde, l’horreur, l’un en face de l’autre, dans un dialogue perpétuel]. A história de uma comunidade concreta desaparece por detrás da invocação vaporosa do cosmopolitismo, que se insurge contra entidades conceptuais igualmente indeterminadas – a ignomínia, o absurdo e o horror – e, para rematar a fantasmagoria, tudo isso com sujeitos inexistentes – um diálogo, certo, mas com quem? – num........

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