Quatro estações
Dizia-se antigamente que a meteorologia era a arte de prever o tempo depois de ele ter acontecido. Hoje, na era do excesso de comunicação, transformou-se numa filial do drama grego. Bastam dois dias de calor acima da média no centro da Europa para que os ecrãs se inundem de gráficos a vermelho-sangue e termos sonoros como “cúpula de calor” ou “génese de intempérie”. A avaliar pelo tom alarmista dos especialistas de serviço, o cidadão comum deveria trancar-se em casa, cobrir as janelas com papel de alumínio e esperar pelo pior. Chegou-se ao ponto — herança, por certo, de traumas pandémicos mal resolvidos — de sugerir o fecho de escolas por causa dum pico de temperatura. Só uma sociedade anestesiada pelo excesso de conforto e pela fobia do risco se pode dar ao luxo de querer parar a vida produtiva porque o termómetro decidiu lembrar-nos de que estamos no Verão.
Felizmente, a natureza humana ainda é mais forte do que o medo enlatado dos telejornais. O medo........
