A origem invisível dos acidentes rodoviários
Recentemente, por orientação do Ministro da Administração Interna, foi reforçada a presença da Guarda Nacional Republicana nas estradas, recuperando, em moldes próximos dos antigos, a actuação da Brigada de Trânsito. À primeira vista, trata-se de uma medida positiva. Mais fiscalização tende a gerar mais cumprimento. Mas há um problema de fundo: continuamos a agir a jusante, quando o problema nasce a montante.
A lógica é conhecida. Detectar infracções, aplicar coimas, aumentar a presença policial. É necessário, sem dúvida. Mas não é suficiente. Porque não resolve a causa, apenas trata a consequência. E convém não ignorar um dado incómodo: as multas rodoviárias representam uma fonte relevante de receita para o Estado. Não se trata de uma crítica simplista, mas de um desalinhamento potencial. Se o objectivo for prevenir, então o foco não pode estar apenas em apanhar quem erra. Tem de estar, antes de tudo, em evitar que o erro aconteça.
Sempre que ocorre um acidente grave, repetimos o mesmo ritual. Procuramos o culpado imediato: excesso de velocidade, álcool, distracção. As estatísticas confirmam que o erro humano está na origem da esmagadora maioria dos acidentes. Mas raramente fazemos a pergunta mais incómoda: como aprendeu aquele condutor a conduzir?
O problema não começa na estrada. Começa na forma como se aprende a conduzir. A maioria dos condutores é formada num ambiente artificialmente controlado, com percursos previsíveis, velocidades reduzidas e foco em manobras técnicas como estacionamento ou inversão de marcha. Aprende-se a cumprir um guião. Aprende se a passar num exame. Não se aprende, verdadeiramente, a conduzir.
O momento mais perigoso da aprendizagem de um condutor não é durante as........
