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A memória selectiva do terror extremista

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20.10.2026

Os recentes tumultos em França, de que as nossas «acampadas» são, felizmente, uma pálida repercussão,  envoltas na habitual liturgia das causas justas, vieram, uma vez mais, mostrar que há manifestações de  radicalismo que constituem ameaças à democracia e outras que, beneficiando da conveniente designação de  «activismo» (vide texto de José Manuel Fernandes aqui no Observador), parecem adquirir uma espécie de  imunidade ideológica. Tudo depende, naturalmente, da causa proclamada e, sobretudo, da simpatia que esta  desperta entre os zelosos guardiães do pensamento do bem.

Para aqueles a quem esta peculiar distribuição da superioridade moral ainda não toldou a memória, nem a  capacidade de distinguir os factos das conveniências, talvez valha a pena revisitar a História e elaborar uma  pequena resenha dos autores de algumas das maiores atrocidades políticas, tantas vezes esquecidas no afã de  atribuir à extrema – não existe outra – direita uma espécie de monopólio universal da violência e do terror.

A extremidade do terrorismo  

Sabemos que a análise dos factos não é o maior dom dos que se apressam a fazer interpretações. Há um erro recorrente no debate contemporâneo: discutir o terrorismo (ou qualquer outro fenómeno) a partir  de convicções, e só depois procurar os factos que as sustentem. Se quisermos inverter o método, começando pelos dados e só depois passando à sua interpretação, o ponto de partida deve ser o mais recente relatório da  Europol, o EU Terrorism Situation and Trend Report (TE-SAT) 2025, relativo a 2024.

Os números são objectivos: 58 ataques terroristas (consumados, falhados ou frustrados) na União Europeia e  449 detenções por crimes relacionados com terrorismo. A distribuição por tipologias é elucidativa: cerca de 24  ataques jihadistas, 21 ataques de........

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