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O desemprego que não se vê

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27.04.2026

Anteontem celebrou-se o 25 de Abril. A geração que fez a revolução voltou a celebrar as conquistas de que foi simultaneamente protagonista e beneficiária, enquanto os que vieram a seguir fazem contas à dívida que não contraíram, às pensões indexadas a uma demografia que deixou de existir, ao mercado de trabalho que não os absorve. É um padrão que se repete com uma consistência que já devia envergonhar: primeiro criticamos quem veio antes por ter deixado os problemas por resolver, depois herdamos os activos que esses problemas criaram, depois defendemo-los. Já não são os nossos pais. Somos nós. O que se segue é sobre o próximo episódio desse padrão, o que ainda não é visível nas estatísticas, e por isso ainda dá tempo de discutir.

Estamos habituados a discutir habitação, e com razão. Mas enquanto olhávamos fixamente para os preços das casas, outra coisa acontecia, silenciosamente, no mercado onde os mais novos se supõe que comecem a vida activa. Em Londres, a taxa de desemprego jovem entre os 16 e os 24 anos passou de 9,4% em 2024, o valor mais baixo em mais de duas décadas, para 24,6% em Março de 2026 (Office for National Statistics, Labour Market Statistics, Abril de 2026). Em dois anos. Sem recessão, sem crise financeira, sem pandemia. A linha de Londres sobe na vertical. O resto do Reino Unido não acompanha. A cidade financeira por excelência está agora em níveis de desemprego jovem da Grande Recessão.

Dir-se-á que há causas concorrentes: a subida do National Insurance, a retracção pós-Brexit, o fim do regime fiscal para estrangeiros domiciliados. Todas verdadeiras, todas insuficientes. O National Insurance incide sobre todas as regiões e todos os salários: não explica que o salto seja específico de Londres nem que se concentre nos 16 aos 24 anos. O fim do regime non-dom esvaziou o topo do mercado, não a base. A retracção financeira pós-Brexit é anterior a 2024. O que mudou em 2024 não foi o enquadramento macroeconómico. Foi o custo marginal de não contratar um júnior, que caiu para quase zero.

Bastiat dizia, há quase dois séculos, que o mau economista vê apenas o efeito visível, enquanto o bom economista vê também aquilo que não........

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