O culminar da crise da III República?
Há momentos em que um caso deixa de dizer respeito apenas às pessoas envolvidas e passa a representar o estado real das instituições. O caso que envolve Luís Neves poderá ser um desses momentos. Não porque estejam já apuradas todas as responsabilidades, mas porque expõe fragilidades que se foram acumulando ao longo de décadas e que hoje parecem convergir numa profunda crise de confiança no Estado.
Esta realidade não surgiu de um dia para o outro.
Nos últimos trinta anos Portugal foi governado pelo Partido Socialista durante mais de vinte e um anos. O PSD liderou o Governo durante pouco mais de oito anos. É, por isso, inevitável concluir que o actual estado das instituições resulta, sobretudo, de uma responsabilidade política do PS. Mas seria igualmente desonesto ilibar o PSD. Nos períodos em que governou, raramente promoveu as reformas estruturais necessárias para corrigir os desequilíbrios herdados, optando muitas vezes por uma atitude de continuidade e acomodação. Essa passividade acabou por permitir que muitos problemas se consolidassem.
Durante a governação de António Costa, essas fragilidades atingiram uma dimensão particularmente preocupante. Assistiu-se a uma alteração dos equilíbrios entre os órgãos de polícia criminal, com a Polícia Judiciária a beneficiar de um reforço significativo de meios, competências e protagonismo. Em sentido contrário, PSP e GNR foram........
