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O paradoxo das prioridades no século XXI

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14.04.2026

A National Geographic define civilização como algo mais do que tecnologia ou monumentos: é a forma como uma sociedade organiza as suas prioridades, distribui os seus recursos e cuida das suas populações.

Quatro astronautas partiram a bordo da missão Artemis II numa viagem que nenhum ser humano tinha feito em mais de meio século. O programa, financiado por verbas públicas americanas e contratos com empresas privadas como a SpaceX, deverá ultrapassar os 100 mil milhões de dólares. É um marco civilizacional genuíno, a prova de que quando existe vontade política e investimento intencional, a humanidade resolve problemas de complexidade extraordinária. É também, por essa razão, o espelho mais incómodo que a nossa época nos poderia oferecer.

Em janeiro de 2025, a administração Trump desmantelou a USAID, a agência americana de ajuda ao desenvolvimento criada por Kennedy em 1961, cancelando 90% dos contratos e encerrando a infraestrutura que financiou cerca de 47% de toda a ajuda humanitária global por menos de 1% do orçamento federal, 105 dólares por cidadão americano por ano.

O impacto foi imediato e concreto: clínicas de VIH em África fecharam, a interrupção do fornecimento de água potável na República Democrática do Congo desencadeou um aumento de 361% nos casos de cólera em 2025, e um estudo projeta 9,4 milhões de mortes........

© Observador