A universidade em Portugal, um regime feudal
No passado dia 26 de agosto foi publicado um interessante artigo sobre a realidade académica nacional, que surpreende pela sua honestidade, frontalidade e lucidez. Ali, Domingos Caeiro, professor e vice-reitor da Universidade Aberta, aborda aquilo que todos os académicos conhecem, mas de que poucos falam: as limitações à liberdade de expressão e ao debate aberto no seio das instituições de ensino superior por meio de mecanismos coercivos informais. O texto surpreende ainda por ser de autoria não de um cientista precário, mas de um membro da classe dos académicos de carreira, que, por norma, são quem pratica e beneficia daqueles mecanismos.
As limitações à liberdade de opinião, o enaltecimento do conformismo, a promoção do seguidismo são características definidoras da universidade em Portugal. A crítica pública é mal vista, pelo que o debate é cerceado. O mimetismo é favorecido em prejuízo da independência académica. Amizades, vassalagens, intrigas sobrepõem-se a mérito, esforço, trabalho.
Muitos colegas, sobretudo da esquerda política, falam da neoliberalização da universidade em Portugal. Tomáramos nós – académicos, cidadãos e contribuintes – que assim fosse. Na verdade, a universidade portuguesa ainda vive num regime feudal.
O feudalismo caracterizava-se por uma hierarquia rígida, composta por classes sociais em grande medida imóveis, na qual os senhores feudais exerciam o seu poder de forma arbitrária como autoridades primárias, constituindo redes de vassalos e de servos. Vários eventos recentes na universidade portuguesa replicam estes atributos.
Se recordarmos os tristes e recentes acontecimentos na Universidade do Porto, assistimos àquilo que parece ser uma rivalidade entre dois senhores feudais: de um lado, um........
