Da luta de classes à intifada.
Liceus incendiados porque não têm ar condicionado. Lojas destruídas porque sim. Uma mulher a quem se atira com combustível para depois se lhe lançar fogo Grupos de jovens vestidos de negro partem, incendiam, marcham. As bandeiras da Palestina são frequentemente a única mancha de cor no meio daqueles vultos.
O predomínio das bandeiras da Palestina nas manifestações dos estudantes franceses não é um acaso. É um sintoma. Em vários países da Europa o slogan do Che Guevara de “Criar dois, três… muitos Vietnames” ressurge agora na versão “Criar duas, três… muitas Gazas”. Criar onde? Aqui, nas ruas da Europa, onde a fotogenia imedata da intifada substitui o velho imaginário da luta de classes: a mulher de Marselha em cujo rosto foi despejado o líquido inflamável pelos manifestantes trabalha como auxiliar de pessoas com incapacidades e limitou-se a pedir aos manifestantes que não destruíssem o abrigo da paragem de autocarro. Porquê agredi-la de forma tão bárbara? Por isso mesmo, pela barbárie. Ou melhor pelo poder absoluto que o exercício da barbárie confere. Ninguém quer saber a que classe ela pertence. Apenas que não faz parte da tribo. E as tribos a que pomposamente chamamos comunidades estão a tornar-se donas de algumas ruas na Europa. Os momentos........
