Arma de erosão massiva: as vagas que se dizem migratórias
Enquanto milhares de jovens marroquinos entravam em Ceuta perante a impotência das forças de segurança espanholas e a indiferença cúmplice das autoridades marroquinas, em Madrid tinha lugar a festa do Dia do Trono, organizada pela embaixada de Marrocos para assinalar a chegada à chefia do Estado de Mohamed VI. Só a importância que Marrocos foi ganhando nas suas relações com a UE, e muito particularmente com Espanha, justifica na lista de presenças anunciadas nos jardins da embaixada que tanta gente se tenha disposto a enfrentar o calor de Madrid em tal data.
Vários membros do governo espanhol deveriam estar presentes mas como era inevitável o ministro do Interior Fernando Grande-Marlaska anulou a sua presença. Afinal, a essa mesma hora, em Ceuta, milhares de espanhóis estavam fechados em casa com medo enquanto levas de marroquinos atravessavam a fronteira. Sobrou para o ministro da Agricultura, Pesca e Alimentação, Luis Planas, e, ironia das ironias, para a ministra da Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz, ouvirem a embaixadora marroquina a celebrar o progresso do seu país e a declarar que o que estava a acontecer em Ceuta não era nada que agradasse a Marrocos. De facto Ceuta, cidade onde 80 mil residentes viram chegar 60 mil marroquinos em poucas horas, é o exemplo de quando a inclusão passa a ser vista como invasão.
Como é mais que óbvio, nunca em Marrocos 50 a 60 mil pessoas se podiam ter concentrado num lugar e em seguida terem-se colocado em marcha para um ponto concreto, ainda por cima policiado como é uma fronteira, sem que as autoridades marroquinas estivessem a par e, mais importante, sem que essas autoridades o........
