O Presidente que nunca existiu
Eleito fora das maiorias partidárias, o Presidente da República é o único órgão capaz de observar o regime sem lhe dever obediência política. Quando esse lugar se limita a garantir normalidade, abdica da sua função mais exigente, interrogar o sistema antes de este deixar de saber para que serve.
Ser Presidente da República, levado ao extremo da exigência constitucional, significaria assumir uma função que permanece fora do discurso político admissível: a responsabilidade pela verdade institucional do regime. Não pela verdade jurídica, que os tribunais acautelam, nem pela verdade política, que os partidos moldam, mas pela verdade estrutural do funcionamento do Estado.
O Presidente é o único órgão que observa o sistema a partir de dentro e de fora em simultâneo. Dentro, porque participa na engrenagem constitucional, fora porque não governa, não legisla, não depende de maiorias estáveis. Essa posição confere-lhe uma lucidez institucional que nenhum outro órgão pode reclamar. O que nunca foi assumido é que essa lucidez cria um dever........
