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Vindimas 2026: a colheita de um ano, a decisão de um futuro

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10.09.2026

As vindimas de 2026 estão a decorrer no Douro.

Todos os anos, quando setembro chega, o território transforma-se. A vinha ganha movimento, as adegas abrem as suas portas, as pessoas regressam aos trabalhos da colheita e o Douro volta a mostrar ao mundo uma das suas imagens mais fortes.

Para quem nos visita, é uma paisagem extraordinária.

Para quem aqui vive e trabalha, é muito mais do que isso.

A vindima é a conclusão de um ano inteiro de trabalho.

Começa muito antes de setembro: na preparação da terra, na poda, nos tratamentos, no acompanhamento permanente da vinha e na dedicação de quem conhece cada parcela.

Durante todo esse percurso existem custos, investimento, risco, incerteza, falta de mão de obra e, muitas vezes, a preocupação de saber se todo esse esforço será justamente compensado.

É por isso que uma vindima não deve ser apenas um momento de celebração.

Deve ser também um momento de reflexão.

Fomos construídos por gerações que conheceram a guerra, a escassez, a pobreza e o sacrifício.

Gerações que aprenderam a resistir, a trabalhar e a criar valor, muitas vezes com pouco mais do que as próprias mãos, a força de vontade e a esperança de proporcionar aos filhos uma vida melhor.

Não se trata de idealizar esse passado, marcado por muitas limitações e injustiças.

Trata-se de reconhecer a capacidade de resistência de quem, apesar das dificuldades, conseguiu construir possibilidades para as gerações seguintes.

Foi um Portugal de sacrifícios.

Mas também foi um Portugal de coragem.

Vivemos num país profundamente diferente.

Temos mais conhecimento, mais tecnologia, mais informação e uma capacidade extraordinária de produzir, comunicar e chegar ao mundo.

Mas será que estamos verdadeiramente a avançar?

Todos os dias encontramos pessoas cansadas, empresas a lutar para sobreviver, jovens à procura fora daquilo que não encontram dentro e territórios que envelhecem.

Na agricultura, estas dificuldades tornam-se particularmente visíveis.

Nas vindimas, tornam-se ainda mais concretas.

O trabalho continua. A dedicação continua. A vontade de fazer continua.

Mas os custos aumentam, a mão de obra escasseia e nem sempre o rendimento acompanha o esforço e o risco de quem produz.

E talvez um dos maiores perigos seja começarmos a aceitar como normal aquilo que não deveria ser normal.

Como se sobreviver fosse suficiente.

Mas sobreviver não pode ser o nosso projeto de futuro.

O Douro que vemos e aquele que nem sempre vemos

O Douro é hoje reconhecido em Portugal e no mundo.

Tem vinho, turismo, gastronomia, património, paisagem, empresas, conhecimento e uma identidade........

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