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O Porquinho e os Lobos de pés de barro

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26.10.2026

No último artigo descrevi a Europa como um porquinho cercado por três lobos maus: Estados Unidos da Amárica, China e Rússia, cada um à sua maneira pressionando, explorando ou desafiando o projecto da União Europeia.

Mas há uma pergunta que ficou por fazer e que talvez seja ainda mais relavante: e se os lobos não forem assim tão ferozes?

Num mundo onde a percepção de força é muitas vezes tão importante quanto a força em si, olhar apenas para o poder dos outros e ignorar as respectivas fragilidades é meio caminho andado para a auto-desvalorização. E, nesse exercício, a Europa tem sido particularmente eficaz. A Europa é perita em subestimar-se e sobrestimar os outros.

Comecemos pela Rússia. A imagem projetada é a de uma potência agressiva. Mas por trás dessa postura está uma realidade estrutural muito mais limitada. Em 2025, o PIB nominal russo foi de cerca de 2,56 biliões de dólares, enquanto o PIB conjunto da União Europeia, foi de aproximadamente 21,2 biliões de dólares, mais de oito vezes superior. Trata-se além disso de uma economia pouco diversificada, altamente dependente de recursos fósseis e hoje cada vez mais orientada para o esforço de guerra.

A invasão da Ucrânia, que pretendia demonstrar força e alargar o seu perímetro de influência, acabou por expor fragilidades. Transformou a economia numa economia de guerra, isolou o país politica e tecnologicamente e acentuou a sua dependência da China. Ao mesmo tempo, a Rússia enfrenta um declínio demográfico significativo, agravado pela perda de uma geração de jovens homens, estejam eles mortos, feridos, traumatizados ou emigrados.

Internamente, trata-se de um sistema fechado, dominado por uma elite oligárquica, onde a corrupção é endémica e a liberdade de expressão limitada. A ausência de diversidade não é apenas um problema político, é um travão à inovação.

A Rússia pode intimidar mas dificilmente pode liderar.

Passemos à China. A escala impressiona: cerca de 1,4 mil milhões de habitantes e um PIB nominal de aproximadamente 19,5 biliões de dólares em 2025. Mas os sinais de tensão........

© Observador