Submissão e arco-íris
A 17 de Abril deste ano o CDS-PP fez aprovar na Assembleia da República um diploma que proíbe hastear bandeiras de natureza ideológica, partidária ou associativa em edifícios públicos. Fez muito bem e mostrou, para quem tivesse dúvidas, o lugar próprio que o partido continua a ocupar no espaço político em Portugal.
O PSD e o Chega acharam bem e votaram a favor.
Mas eis que, nem um mês passado da aprovação do diploma, as câmaras de Lisboa e do Porto resolveram continuar com o rito, ignorando o espírito da lei, ainda que sujeita a publicação: Pedro Duarte, nos Paços do Concelho do Porto; Carlos Moedas, numa praça à margem do edifício da Câmara. O primeiro disse que a exaltação à volta do assunto é parte de uma discussão estéril, o segundo quase lamentou os termos da lei que impede que se hasteie a bandeira no edifício da Câmara de Lisboa.
Pedro Duarte e Carlos Moedas são dois políticos inteligentes. É exactamente por isso que as suas justificações são desconcertantes. Há aqui equívocos. Há aqui fuga ao essencial.
O princípio devia ser simples de perceber. Uma sociedade livre pode ter muitas bandeiras; o Estado deve ter poucas. A sociedade civil pode escolher os seus emblemas, mas o edifício público não deve ter essa liberdade. A sua dignidade vem da contenção. Segundo este........
