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O 25 de Abril não pertence à esquerda

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25.04.2026

O 25 de Abril não pertence à esquerda. Esta frase, que devia ser banal, continua a parecer uma provocação. A polémica em torno das comemorações municipais de Lisboa e do Museu do 25 de Abril mostrou, mais uma vez, que há quem aceite que Abril seja celebrado por todos, desde que todos o celebrem segundo o mesmo guião. Ora, o 25 de Abril não precisa de tutela.

A petição dirigida a Carlos Moedas foi uma iniciativa cívica, subscrita sobretudo por pessoas ligadas ao meio cultural e artístico. No seu conteúdo, não se limita a lamentar a ausência do tradicional concerto na noite de 24 para 25. Vai mais longe. Fala num 25 de Abril “esbatido, diluído, quase ausente”, acusa a Câmara de Lisboa de transformar a data numa vaga festa de sagração da Primavera e conclui que o alegado esquecimento é uma forma de apagamento.

Há nesta reacção um fervor quase religioso. Como se a alteração de uma programação, de um símbolo ou de uma linguagem equivalesse à profanação de um feriado sagrado. O problema não está em defender a importância do 25 de Abril, que é evidente.........

© Observador