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Entre Bismarck e o Caos: Realismo, Poder e o (Des)Equilíbrio

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27.03.2026

A evocação de Otto von Bismarck no contexto internacional atual pode parecer um exercício histórico distante, contudo esta referência revela-se particularmente pertinente num momento em que o sistema internacional atravessa uma fase de transição profunda.

Nascido em 1815, na Prússia, Bismarck destacou-se como uma das figuras centrais da política europeia do século XIX. Foi nomeado Ministro-Presidente da Prússia em 1862 e tornou-se o principal arquiteto da unificação alemã, concluída em 1871, após uma série de conflitos estratégicos — com a Dinamarca, a Áustria e a França — conduzidos com um cálculo político notável.

A 18 de janeiro de 1871, Otto von Bismarck foi nomeado Chanceler do Império Alemão em Versalhes, em França, no mesmo momento em que foi proclamado o Império Alemão. A cerimónia teve lugar na célebre Galeria dos Espelhos do Palácio de Versalhes, onde Guilherme I, na sequência da vitória prussiana na Guerra Franco-Prussiana, foi proclamado Kaiser (Imperador Alemão).

Bismarck veio a exercer o cargo de chanceler da nova Alemanha até 1890, moldando decisivamente, com a sua atuação na política externa, o equilíbrio europeu através de uma diplomacia sofisticada e pragmática, alicerçado nos aclamados “Sistemas de Bismarck” que tinham por objetivos primários isolar diplomaticamente a França, manter a paz na Europa e, com isso, fortalecer a liderança alemã no continente europeu.

O período pós-Guerra Fria, marcado pela primazia ocidental e pela aposta no multilateralismo, deu lugar a um ambiente mais fragmentado, competitivo e imprevisível. Na verdade, a queda do Muro de Berlim, não........

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