Vêm aí eleições antecipadas
Portugal vive hoje um paradoxo político difícil de ignorar. O Governo da AD venceu eleições sem maioria absoluta, assumiu funções com legitimidade democrática, mas rapidamente demonstrou uma incapacidade estrutural para construir estabilidade parlamentar. E numa democracia parlamentar, governar sem capacidade de entendimento é, quase sempre, governar com prazo de validade.
O problema não está apenas nos números da Assembleia da República. Está sobretudo na cultura política que se instalou desde o primeiro dia da legislatura. A AD entrou em funções com uma narrativa de mudança, responsabilidade e moderação. Porém, ao invés de procurar pontes, consensos mínimos e equilíbrios institucionais, optou frequentemente por uma lógica de afirmação política permanente, como se continuasse em campanha eleitoral. O resultado está à vista: um ambiente político crispado, negociações bloqueadas e uma crescente sensação de ingovernabilidade.
A política portuguesa sempre viveu de entendimentos. Mesmo nos momentos de maior........
