A máquina, o agrafo e a virtude desaparecida
Há exames concebidos para medir os alunos que os realizam. Outros, porém, quiçá por uma dessas ironias em que a realidade se compraz, acabam a medir a sabedoria prática de quem os engendrou. Destes últimos é o caso dos Exames Nacionais de 2026, que chegaram às escolas com a solenidade dos ritos novos e a prosápia das reformas inevitáveis, anunciando eficiência, rigor e modernização, essa santíssima trindade administrativa que costuma preceder os pequenos desastres públicos. Deixaram, todavia, suspensa uma interrogação mais antiga do que qualquer plataforma: quem responde quando o instrumento chamado a servir a justiça começa por a embaraçar?
Poder-se-ia pedir ao aluno que comentasse a expressão: “Nenhum aluno será prejudicado”. É factual que a frase possui a postura grave das garantias oficiais e a delicadeza quebradiça das fórmulas preparadas a acalmar antes de esclarecer. No entanto, para que ninguém seja lesado, não chega aspergir a opinião pública com água benta burocrática: é necessário que cada folha deixe vestígio, que cada imagem tenha correspondência, que cada classificação disponha de tempo e de meios,........
