"AI" não resolve o "gender gap"
Há tecnologias que melhoram o mundo tal como ele é. E há outras que tornam esse mundo irreconhecível.
A inteligência artificial pode pertencer à segunda categoria.
Durante décadas, a desigualdade de género foi explicada por fatores conhecidos como: acesso desigual, interrupções de carreira, estruturas rígidas, expectativas sociais. Esses fatores continuam a existir. Mas talvez estejamos a entrar num território onde essas explicações deixam de ser suficientes. Não porque desapareceram, mas porque o próprio contexto em que operam está a mudar.
O trabalho, tal como o conhecíamos, começa a reconfigurar-se.
Quando sistemas autónomos assumem a execução, como: escrever relatórios; analisar dados; programar; até decidir rotinas operacionais; o valor humano muda de lugar. Afasta-se da repetição, da presença constante, da linearidade das trajetórias profissionais. Aproxima-se de outra coisa: da capacidade de formular perguntas relevantes, de ligar ideias distantes, de decidir em contextos ambíguos onde........
