Reindustrializar a Europa: estará Portugal preparado?
Durante décadas, a Europa acreditou que podia prosperar mesmo produzindo cada vez menos. A globalização permitia localizar a indústria onde os custos eram mais baixos, mantendo na Europa os centros de decisão, inovação e consumo. Parecia um modelo eficiente. Afinal, porque haveríamos de fabricar aquilo que outros produziam mais barato?
Os últimos anos mostraram os limites dessa visão. A pandemia expôs a fragilidade das cadeias globais de abastecimento. A invasão da Ucrânia revelou a dependência energética europeia. A instabilidade no Médio Oriente voltou a recordar que a segurança económica depende também da capacidade de produzir e garantir o acesso a matérias-primas estratégicas.
A resposta de Bruxelas é clara: a política industrial está de volta.
A proposta do Industrial Accelerator Act é um dos sinais mais evidentes desta mudança. O objetivo já não é apenas acelerar a descarbonização da economia. É também reforçar a capacidade industrial europeia, simplificar o investimento em tecnologias limpas e incentivar a produção de materiais estratégicos dentro da União Europeia.
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