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Desventura na Presidência

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31.01.2026

Percebo que haja muita gente farta do PS depois de anos no poder. Parece seguro que o próprio António José Seguro se fartou há uns anos atrás. Percebo que haja muita gente que não percebe onde estão as prometidas reformas do PSD. Percebo que haja muita gente a trabalhar no duro por esse país fora, sem grande paciência para a paralisia de boa parte da elite autocentrada de Lisboa num Mundo em mudança acelerada. É claro que o voto é livre. Mas se querem votar Ventura, assumam no que votam, e não insultem a nossa inteligência a tentar vender a ideia de que se transfigurou num líder moderado, num democrata cristão exemplar, num patriota tolerante que vai combater o risco de um suposto socialismo sanguinário e ditatorial.

Talvez enganassem alguém de boa fé, se, desde 2019, Ventura e os seus apoiantes mais próximos e ruidosos tivessem mostrado, já nem digo moderação, mas civilidade e boa-educação. Para se defender de forma credível a civilização europeia convinha começar por praticar o mínimo de boas maneiras. E isto tem implicações. Lembram-se do lamentável espetáculo de má-educação que Ventura e companhia deram aquando da visita oficial do presidente do Brasil ao parlamento português? Isso é moderação? Isso é colocar os interesses da pátria acima dos do partido como é exigível a um chefe de Estado? O que faria um presidente Ventura se Lula for reeleito? Como lidaria um Ventura presidente com o atual primeiro-ministro de Espanha? Goste-se ou não de Sanchéz a Espanha é um parceiro importante. Portugal não é os EUA, não nos podemos dar ao luxo de ter um populista a fazer teatro político no palco global.

O Presidente tem reais poderes e margem de atuação no campo externo e da defesa: por exemplo, pela sua diplomacia pessoal ou presidindo ao Conselho Superior de Defesa Nacional que tem de autorizar qualquer emprego de tropas no exterior. O que fez Ventura neste contexto global tão perigoso? Juntou-se a uma internacional nacionalista que quer a destruição da União Europeia........

© Observador