Culpa, marido procura-se
Sempre que há uma crise, em Portugal, acontecem duas coisas, a primeira é a de que era imprevisível, a segunda é de que há um culpado. Em caso de dúvida a culpa é do governo em funções, se for “de direita”, já se for de esquerda é um fenómeno atmosférico único, tipo “down burst” ou outro com um nome complexo e “estrangeiro” que dê um ar de pessoa sábia a quem o proclama.
Há, contudo, muitas situações que são mais que previsíveis. As cheias, os sismos, os fogos e as tempestades (estas mais recentes).
Perante estas realidades incontornáveis há que actuar na prevenção (já lá iremos) e no day after.
As cheias existem desde tempos imemoriais. A prova são os diques que ainda existem e foram produzidos quando os árabes ainda mandavam por aqui. Os diques têm uma função importantíssima de dissiparem parte da energia. No antigo regime os diques eram mantidos. Não só os diques ,como os esporões, obras provisórias que vão “campinando” o rio. Com o desmontar de muitos organismos, esta manutenção acabou. Faltam os saudosos guarda-rios, que tal como os guardas florestais tinham o importantíssimo papel de fazer o levantamento destas obras hidráulicas. As barragens que, entretanto, foram feitas ajudam a laminar o caudal, mas só até certo ponto. Chega o momento em que as comportas têm de ser abertas e o escoamento inunda os campos. Vivemos com isto há séculos pelo que, por norma, conseguimos retirar os bens das zonas que irão inundar. Importa haver piquetes para colocar reforços nas zonas de fragilidade com sacos de areia, ajudar no transporte de bens e gado. Apesar de tudo as cheias têm um tempo de previsibilidade. A protecção civil sabe com uma antecedência suficiente quando e onde irá haver inundações. Finalmente as regiões onde ocorrem a maioria das cheias a população está habituada e sabe actuar em consonância, nomeadamente alterar as rotas e as rotinas.
Os sismos é coisa diversa. A imprevisibilidade é total. A previsão da data, hora e intensidade e consequente nível de destruição é impossível, mas que o acontecimento é uma inevitabilidade ninguém põe em causa. E o que tem sido feito? Nada?........
