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Uma criança de 2 anos, um terapeuta morto e muitas perguntas

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30.06.2026

Há notícias que nos chocam pela violência. Outras perturbam-nos porque colocam em causa certezas que julgávamos sólidas. O caso recente ocorrido em Espanha, onde um terapeuta da fala foi morto pelo pai de uma criança de dois anos após suspeitas de abuso, pertence claramente à segunda categoria.

Escrevo estas linhas consciente de que a investigação ainda decorre e de que seria irresponsável retirar conclusões definitivas. Não pretendo absolver nem condenar ninguém. Contudo, há algo que me parece impossível ignorar: independentemente da verdade que vier a ser apurada pelos tribunais, este caso obriga-nos a refletir sobre a forma como protegemos as crianças mais vulneráveis e, simultaneamente, os profissionais que trabalham com elas.

Ao longo da minha vida tive contacto próximo com terapeutas da fala, quer enquanto pessoa com deficiência auditiva, quer enquanto dirigente associativo. Conheço a dedicação, o profissionalismo e a competência de muitos destes profissionais. Sei o papel fundamental que desempenham na reabilitação, na comunicação e na inclusão de milhares de pessoas.

Talvez por isso mesmo me recuse a cair em........

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