As duas faces da economia da sustentabilidade
A economia da sustentabilidade apresenta várias graduações que interagem a todo o tempo entre si. Estas diferentes graduações são uma consequência direta dos impactos diferenciados provocados pelas Grandes Transições – climática, energética, ecológica, agroalimentar, tecno-digital, demográfica, migratória, socio-laboral, securitária e geopolítica – e é esta inusitada convergência multirrisco que nos leva a falar de uma distinção primordial entre sustentabilidade fraca e sustentabilidade forte, assim como, correlativamente, da absoluta necessidade de uma economia de bens públicos e comuns.
A sustentabilidade fraca é um produto específico do capitalismo verde cujas metodologias, metas, métricas e narrativas ele mesmo patrocina. A sustentabilidade fraca preocupa-se, principalmente, com a redução, a reciclagem, a reparação, a regeneração e a reutilização de recursos usados nos processos produtivos. Na prática, trata-se, antes de mais, de respeitar uma obrigação regulamentar e regulatória e um dever reputacional e, portanto, de reduzir ao mínimo os custos de contexto que afetam a produtividade e competitividade dos produtos certificados como verdes no mercado dos bens privados. Logo, um assunto de natureza essencialmente gestionária. A sustentabilidade forte, por sua vez, está para lá dessa obrigação e desse dever e reporta-se a uma noção mais complexa de sustentabilidade que tem, no seu âmago, o conceito de segurança estratégica em matéria ecológica, tecnológica, militar e geopolítica, num tempo em que as guerras híbridas e a dissuasão se tornam moeda corrente no plano do realismo geoestratégico. Com efeito, quanto mais digitalizamos, automatizamos, hiperligamos, otimizamos e autorregulamos, mais aumentamos a superfície de exposição a ciberataques, pelo que a cibersegurança deve ser considerada uma infraestrutura crítica e uma zona de impacto com efeitos diretos nas cadeias logísticas e nas fileiras produtivas, mas, também, na nossa vida quotidiana. Além disso, e enquanto infraestrutura de segurança geoestratégica – ecológica, energética, cibernética, marítima, socioeconómica e geopolítica – a sustentabilidade forte é, também, uma porta de entrada necessária para a economia dos bens comuns e bens públicos globais e sua governança multirrisco.
Esta distinção é muito relevante, porque é na conexão eficaz e eficiente das suas diferentes graduações e respetiva interoperabilidade que reside o segredo do sucesso de uma economia da sustentabilidade e, logo, também, de uma economia dos comuns e dos bens públicos globais. Sabemos bem que em tempo de atrito geoestratégico e geopolítico há uma escassez adicional de recursos e, também, um acréscimo de instabilidade e insegurança, pelo que........
