"Acima dos ciclos políticos": o que continuamos a adiar
Portugal tem, oficialmente, uma nova prioridade nacional acima dos ciclos políticos: a redução do risco sísmico. Foi o Presidente da República quem o disse, depois de reunir em Belém especialistas em engenharia civil, geologia e sismologia, defendendo políticas públicas “coordenadas, continuadas e avaliáveis no terreno”. A frase é solene, o objetivo é justo e a intenção é, provavelmente, sincera. Mas há qualquer coisa de incomodamente familiar nesta expressão. Porque, na verdade, quase tudo o que é estrutural em Portugal já foi, em algum momento, apresentado como devendo estar “acima dos ciclos políticos”.
O risco sísmico é apenas o exemplo mais recente de um padrão nacional muito mais antigo: identificamos o problema, reconhecemos a sua gravidade, produzimos um diagnóstico técnico impecável e, depois, deixamos que a urgência se dissolva no calendário eleitoral seguinte. Não é falta de conhecimento que nos falta. É continuidade.
Veja-se o próprio caso sísmico. A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões propôs a criação de um fundo público de resseguro há mais de um ano. A proposta ficou parada. Apenas cerca de um........
