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"Acima dos ciclos políticos": o que continuamos a adiar

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19.07.2026

Portugal tem, oficialmente, uma nova prioridade nacional acima dos ciclos políticos: a  redução do risco sísmico. Foi o Presidente da República quem o disse, depois de reunir em  Belém especialistas em engenharia civil, geologia e sismologia, defendendo políticas públicas  “coordenadas, continuadas e avaliáveis no terreno”. A frase é solene, o objetivo é justo e a  intenção é, provavelmente, sincera. Mas há qualquer coisa de incomodamente familiar nesta  expressão. Porque, na verdade, quase tudo o que é estrutural em Portugal já foi, em algum  momento, apresentado como devendo estar “acima dos ciclos políticos”.

O risco sísmico é apenas o exemplo mais recente de um padrão nacional muito mais antigo:  identificamos o problema, reconhecemos a sua gravidade, produzimos um diagnóstico  técnico impecável e, depois, deixamos que a urgência se dissolva no calendário eleitoral  seguinte. Não é falta de conhecimento que nos falta. É continuidade.

Veja-se o próprio caso sísmico. A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões  propôs a criação de um fundo público de resseguro há mais de um ano. A proposta ficou  parada. Apenas cerca de um........

© Observador