A Magnífica Humanidade e as suas cicatrizes
A primeira encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas, assinada a 15 de Maio 2026 – precisamente 135 anos depois da data em que o Papa Leão XII assinou a marcante encíclica Rerum Novarum – dá seguimento ao desígnio apontado pelo Papa de colocar a Doutrina Social da Igreja ao serviço da procura de respostas para a nova revolução industrial e cultural em curso com os desenvolvimentos da inteligência artificial.
Por estes dias em que muito se vai certamente comentar e publicar sobre esta encíclica creio que a recomendação mais importante que é possível fazer a seu respeito é a de a ler integralmente. Idealmente mais do que uma vez e com calma – não cedendo à tentação de formar opinião sobre ela exclusivamente com base nos comentários de terceiros ou num qualquer resumo solicitado a uma das muitas ferramentas de IA disponíveis.
Não tendo ainda havido tempo suficiente para processar os múltiplos e profundos enfoques da Magnifica Humanitas, pretendo focar-me para já num aspecto específico, magnificamente sintetizado no seu n. 120:
“Para suprimir totalmente a dor, seria necessário, no fundo, extinguir também o amor e o desejo. Realmente, quem ama e deseja não pode evitar passar pela provação e pelo sofrimento e, por isso, ao longo dos anos, guardamos dentro de nós ensinamentos que ficam gravados como cicatrizes, lembrança........
