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Munique

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17.02.2025

Podemos discordar da forma como Trump faz política e exerce o poder. Aliás, mais do que discordar, lamentar. Mas é a vida. E é a essa vida que temos de nos adaptar. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Europa Ocidental deu-se ao luxo de viver como que num mundo à parte, num oásis em que os norte-americanos não se importavam de pagar a conta da defesa. A paz na Europa significava a paz também para os EUA. É isso que explica que, na Europa, certas questões não tenham sido discutidas, certas acções não tenham sido tomadas. Não foi só por conforto; foi mesmo por receio que se reacendessem as divisões e se reabrissem os conflitos.

Donald Trump não deseja qualquer mal à Europa. Apenas que os europeus estejam à altura dos tempos em que vivemos. E estes são perigosos. Mas acima de tudo, são diferentes. Há 80 anos que não há guerras no centro do continente europeu. As pessoas que se lembram do último grande conflito armado são cada vez menos e a memória esvai-se. Ao mesmo tempo surgem novas ameaças. A que vem da China é actual e não é só militar. Vai mais longe. Vai ao âmago da existência da civilização ocidental, pois o sucesso económico da China terá como consequência natural um novo equilíbrio de forças e uma possível supremacia da cultura chinesa sobre a ocidental. Pode mesmo determinar o fim do período da primazia ocidental que começou quando nós portugueses nos lançámos para cima de Ceuta. Para evitar essa possível subalternização da cultura ocidental (e europeia), Trump sabe que os EUA (porque a Europa se pôs fora desta corrida) precisa de ter acesso às matérias-primas tão necessárias no mundo........

© Observador