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A selecção que ganhou e perdeu

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18.06.2026

À hora a que o cronista batia à máquina esta prosa, Portugal ainda não tinha feito a estreia no Mundial. Quer dizer que tanto poderá ter ganho por 15-0 como sido cilindrado pelo adversário, adormecido o Texas de tédio com um jogo de empatas a meio-campo ou que nem sequer tenha havido jogo, adiado sine die devido a uma tempestade ou alerta de bomba ou aterragem ovni. Isto é, a esta hora, manda a equação de Schrödinger: a selecção ganhou e perdeu. Foi incrível e ridículo. Glorioso e lamentável. Ronaldo deu razão aos críticos e calou-os a todos. Não importa. Para o ponto da crónica, não é relevante. E isso é muito relevante.

O futebol é irrisório e enorme, uma distracção acessória e um fenómeno essencial. Orwell, que até morreu em 1950, muito antes de isto ganhar as proporções que ganhou, é que a percebeu logo toda: “futebol é a guerra sem tiros”. Parecendo uma futilidade, por vezes até algo primitiva, é sintoma precisamente do oposto: da evolução civilizacional que permitiu às nações poderem enfrentar-se, competir, medir forças e, portanto, agitar as suas bandeiras, tocar a reunir, reafirmar-se, recordar o que as une e separa, sem terem de pegar em armas e irem para o campo de batalha. Sem o futebol, ou outro desporto favorito que ocupe o mesmo lugar no coração da........

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