Sob as tendas, o terror
“Homem com bandeira de Israel invade concentração no Rossio e é retirado pela PSP”, informou a imprescindível Agência Lusa.
Repare-se no uso do verbo “invadir”, a sugerir que o homem não pertencia à “concentração” e tentou integrá-la de modo abusivo e quiçá ilegal. A infracção cometida não passou por ostentar a bandeira de um país estrangeiro numa manifestação que alegadamente protesta um problema português: não encontrei um único artigo em que a Lusa chamasse invasores aos homens e mulheres que têm acampado no Rossio com bandeiras da “Palestina” ou sem quaisquer bandeiras. Não vi em lado nenhum notícias de que, ao contrário do que sucedeu no referido caso, as bandeiras da “Palestina” e os lencinhos “fedayin” valessem aos respectivos portadores insultos, agressões e a necessidade de serem escoltados pela polícia. Para a Lusa, deduz-se, os manifestantes não só têm pleno direito de ocupar praças públicas, a vandalizar estátuas e a emporcalhar as imediações, como estão habilitados a seleccionar os candidatos a participar na pândega – e a filtrar a iconografia exibida. Porquê? Que se saiba, o indivíduo insultado e agredido pelos manifestantes pacíficos não era senhorio ou especulador imobiliário. Que se saiba, não há relação entre símbolos judaicos e o custo das casas em Lisboa e no Porto. Que se saiba, o indivíduo, à semelhança dos restantes, apenas queria juntar a sua voz aos que reclamam a dificuldade de comprar ou arrendar um apartamento no nosso país e,........
