menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Caídos no chão comum: o Facebook do presidente Seguro

35 0
14.03.2026

“Ao contrário de Marcelo, Seguro usa redes sociais para comunicar enquanto presidente”, informa o Público com provável entusiasmo. E depois desenvolve: “Nos últimos dias, o Presidente [a maiúscula é deles] tem recorrido às suas contas no Instagram, TikTok e Facebook (…) para divulgar a agenda presidencial, publicar vídeos e fotografias das visitas oficiais e partilhar momentos de contacto com a população.”

Em princípio, tudo o que seja o “contrário” do prof. Marcelo é bom. O problema surge quando percebemos o significado de “comunicar” para o Público e, pior, para o dr. Seguro. Não investiguei a conta de Sua Excelência no Instagram, cuja mecânica ignoro, nem no TikTok, que nem sei bem o que é. Mas fui à página dele no Facebook. E estou aqui para testemunhar. Ou, como se diz na Internet, se eu vi vocês também têm de ver.

Segunda-feira, 9 de Março (após a tomada de posse)

“Assumo hoje, perante vós e perante o povo português, a honra e a responsabilidade de servir Portugal como Presidente da República. Saúdo todos os portugueses. Fico eternamente agradecido pela confiança que depositaram em mim para vos servir como Presidente: Presidente de Portugal inteiro e Presidente de todos os portugueses, vivam em Portugal ou no estrangeiro.”

A estreia do novo PR é ambígua. Por um lado, num texto pequenino farta-se de repetir palavras (Portugal, portugueses, Presidente – sim, ele é igualmente dado às maiúsculas) e a sugestão de que é nosso serviçal. Em compensação, não recorre ao medonho truque do “portuguesas e portugueses”, o que é um sinal de esperança.

Segunda-feira, 9 de Março (convívio com “populares” [?])

“Que alegria ver estes jardins cheios de vida, de sorrisos e de boa disposição. Uma Presidência próxima e com as portas abertas às pessoas. Vamos repetir estes momentos muitas vezes.”

Mau! As maiúsculas alastram à própria “Presidência”. Por azar, o esforço de solenidade contrasta com o resto, que parece genuína e comoventemente escrito por uma criança. Começa a impor-se a impressão de que o presidente, perdão, Presidente Seguro não é dado a reflexões........

© Observador