Sapore: como a gigante da alimentação aposta em robôs, tecnologia e sócios para crescer
Daniel Mendez, presidente fundador da Sapore, é o entrevistado da Temporada Minas S/A Cenários, disponível nas plataformas de O TEMPO. Com mais de 25 mil funcionários, 1,4 mil estabelecimentos e faturamento de R$ 4,5 bilhões por ano, a empresa cresce em dois dígitos e investe em startups, robôs e em uma empresa paralela só de tecnologia. O executivo conta que um cliente da Sapore foi de 500 para 1.500 robôs e diz que a tecnologia “Não é um pilar, é um meio”. Para crescer, a Sapore também recorre a sócios: um fundo americano e, em cada divisão, os ex-donos das empresas compradas, atuam desenvolvendo seus negócios. Para ele, inovação é questão de sobrevivência: “Se a gente não criar um clima de inovação, a gente morre”.
Daniel, você é uruguaio, chegou ao Brasil aos 11 anos e é filho de uma cabeleireira e de um garçom. A trajetória não é fácil, você não começou já com a empresa lá no alto, né? Foi um caminho com vários desafios. Conta como foi chegar até aqui.
Não foi fácil. Costumo dizer que a vida é uma escada: você sobe degrau por degrau, e o sucesso de cada etapa impulsiona para a próxima. Quem acha que chegou está morto.Eu acho que, para você estar vivo, tem que estar sempre entregando, tem que ter um propósito que não seja o financeiro, pois o financeiro é consequência. Nasci num país pequeno, sem mercado. Meus pais saíram muito jovens, foram para a Argentina e depois para o Brasil, e eu cheguei aos 11 anos. Meu pai abriu o próprio restaurante, que num dia dava dinheiro e no outro quebrava. Essa instabilidade me ajudou a ter uma vida financeira estável, fui construindo ela de pouquinho a pouquinho.
Você já foi garçom e chegou a ter trauma de trabalhar com comida. O que te fez mudar de ideia?
Enquanto meus amigos iam se divertir, eu trabalhava sábado, domingo e feriado. Pensei: “não quero nem saber desse negócio”. Depois passei pela hotelaria e pelo supermercado e vi surgir, em Porto Alegre, o restaurante industrial, em que o forte era de segunda a sexta. Ali alinhei meu propósito de vida: comida, serviço e gente. A culinária é uma arte, mas, num volume como o nosso, de 1,3 milhão de refeições por dia, exige muita tecnologia, inovação, gestão e governança. E o propósito não pode ser financeiro: o dinheiro é consequência.
Daniel, você viveu a inflação de 1.000% ao ano e, mais recentemente, a pandemia. O que essas crises ensinaram?
Sou da época em que todo mundo corria para comprar tudo, porque no dia seguinte os preços eram remarcados. Já passamos por situações complexas e continuamos passando por transformações, com a chegada dos celulares, da internet e, agora, da inteligência artificial. As empresas precisam estar........
