Genética mineira: sou do mundo, sou Minas Gerais
Fiz um teste de DNA. A história de uma família não começa nos cartórios. Nosso enredo toma forma nos deslocamentos que empurram gente por fome, guerra ou trabalho.
Meu laudo veio com 10% de África, 3% de América, 77% de Europa e 10% de Oriente Médio e Magrebe. A porcentagem é brasileira. Vista na história, também é um conjunto de afluentes que fazem o rio que somos.
Os 3% de América são o primeiro afluente. Antes de 1500, o território de Minas Gerais já era indígena: Borum, Kayapó meridionais, Maxakali, Puri e Xakriabá. A ocupação portuguesa se deu em território habitado. Depois vieram a aliança, a catequese e a expulsão. Os 77% de Europa são o afluente mais largo. A base é ibérica, 44%, sobretudo portuguesa. Desde o século XVI, Portugal impôs a administração, a língua e a religião. Com o ouro, no fim do século XVII, gente da Bahia, de Pernambuco, do Rio de Janeiro e de São Paulo caminhou para a região aurífera. Em 1720, a Coroa criou a Capitania de Minas Gerais, há quase 306 anos.
Todavia, o gene europeu é amplo. No meu relatório aparecem Bálcãs, Basco, Cáucaso, Europa Ocidental, Itália, judeus Sefaradim e Sardenha. Entre 1870 e 1920, cerca de 1,4 milhão de italianos entraram........
