Velhos roqueiros
As chamadas já começaram a aparecer na TV e em postagens nas redes. Os enfoques nas mídias – cuidadosamente disfarçados – anunciam “comemoração dos 50 anos da banda tal” ou “nova turnê com os sucessos de sempre” e demais frases maquiadas para tentar esconder a inexorável passagem do tempo.
Chegou a hora: velhos roqueiros, cantores e conjuntos já têm espaço reservado nos palcos daqui e, certamente, nos de outras cidades. Ali estarão as bandas, à exceção dos que faleceram, brigaram por dinheiro e saíram do grupo, cansaram-se ou foram substituídos por gente mais jovem. Ou simplesmente aqueles que, com juntas dos dedos endurecidas, cordas vocais detonadas e de saco cheio da canseira das turnês preferiram ficar em casa curtindo os netos.
Os sobreviventes – incluindo os necessitados de um cachê providencial na aposentadoria - subirão aos palcos com os figurinos ajustados aos tempos modernos: tudo em couro e camisetas pretas. Os cabelões de sempre, as rugas disfarçadas por ligeiras intervenções cirúrgicas; as barrigas maiores, mas contidas por cintos grossos.........
