Palanques & populismo
O rancoroso senhor no púlpito agita os braços, frenético, enquanto dispara uma saraivada de bravatas para delírio da multidão. O microfone está coberto de perdigotos, a saliva é tanta que chega a pingar sobre as folhas do discurso, borrando as palavras. Quando termina, o povaréu vai à loucura. Velhos com bengalas, senhoras de chapéu, moças e rapazes de todas as idades erguem seus braços e gritam, eufóricos:
- Sieg Heil! Sieg Heil! – “Salve a vitória!”, em alemão.
Adolf Hitler era um sucesso de público e crítica, um deus, um fenômeno único de popularidade. Em torno de sua pessoa agregaram-se milhões, iludidos com as promessas de uma vida melhor e de um país mais digno e respeitado. Depois veio a guerra, o horror, a degradação humana em níveis nunca imaginados.
Na mesma época, não muito longe daquela agitação histérica, um bigodudo também causava frisson quando subia ao palanque nas praças geladas de Moscou – equilibrando-se sobre um caixote por conta de sua baixa estatura. Complexado pela falta de alguns centímetros topete acima, Joseph Stalin usava sapatos especiais,........
