Diderot no sufoco
Denis Diderot, filósofo francês do século XVIII, vivia duro, fazendo contas para esticar os ganhos minguados com traduções e resenhas literárias. De repente, surgiu uma nova despesa assustadora: a filha iria se casar e ele não tinha dinheiro para o dote; condição essencial da época. Puxa! O cara estava mais apertado que São Jorge em noites de lua minguante. No sufoco, ele foi ajudado por uma grande amiga, a imperatriz Catarina da Rússia, sua fã. Riquíssima e generosa, ela abriu os cofres e liberou a grana.
Mas aí o caso tomou outro rumo. Diderot pagou o dote e, de quebra, comprou um manto vermelho para a festa de casamento. Olhando-se no espelho, o filósofo admirava a roupa nova. Porém, começou a botar defeito no resto – nos sapatos, na camisa, nos culotes, nas meias, no tapete da sala, nos armários, nas cortinas, nos quadros. O contraste entre a beleza do manto novo e a feiura do restante de seus pertences desencadeou um pesadelo. Diderot torrou o resto do dinheiro da amiga Catarina e endividou-se cada vez mais........
