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Leituras de férias

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25.09.2026

Agosto, tempo de férias para muitos. Não tanto para mim, pois cheguei àquela fase da existência em que todos os tempos são de férias. Deixo, porém, algumas sugestões de leitura. Comecemos pela mais surpreendente. Os dois primeiros livros, são seis, do Ciclo Terramar, de Ursula K. Le Guin, Um Feiticeiro de Terramar e Os Túmulos de Atuan. Estão ambos publicados pela Relógio d’Água. Por vezes, indicado como literatura juvenil ou de fantasia, o ciclo é muito mais do que isso, e a imaginação da autora é prodigiosa. A editora Cavalo de Ferro está a publicar os chamados Romances Duros, do grande Georges Simenon. Não são romances com o inspector Maigret, mas são, na caracterização do mundo humano, excepcionais. Estão quatro disponíveis: A Neve Estava Suja; A Casa dos Krull; As Janelas Defronte; O Círculo dos Mahé.

Duas obras francesas que acabei de ler. Publicado em 2014, O Reino, de Emmanuel Carrère, foi traduzido para Português pela Tinta-da-China. A classificação da obra não é fácil. Pode ser considerado um romance, mas por norma é incluído na categoria de narrativa (récit). É, ao mesmo tempo, uma narrativa ficcional do nascimento do Cristianismo e um confronto do autor com a fé. Teve-a inflamada, mas perdeu-a. A segunda obra é o romance de 2010, O Mapa e o Território, de Michel Houellebecq, traduzido pela Alfaguara. Ganhou o Prémio Goncourt. O romance gira em torno de três personagens: o pintor Jed Martin, Michel Houellebecq, ele mesmo, e o Inspector-Chefe da polícia, comissário Jasselin. É ao mesmo tempo um romance de formação de artista (Künstlerroman), uma autobiografia imaginada do autor, um romance policial e ainda um romance de antecipação, devido ao recurso a cenas que se passam em anos posteriores a 2010.

Para concluir, duas obras de poesia. Em primeiro lugar, Crepúsculo de Outono – poesia completa, de Georg Trakl (1887-1914), com tradução, introdução e notas de João Barrento. Publicou a Assírio & Alvim, em 2026. A primeira quadra do poema A Floresta em Agonia: “Um tecto de ramos, pétreo cinzento, / Na confusão de folhas raras,........

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