menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Caderneta completa

33 0
25.09.2026

Torres Novas está prestes a completar a caderneta. Faltava o Mercadona, ele aí vem. Acontece sempre uma sensação de excitação e plenitude quando finalmente o cromo em falta se revela ao abrir a saqueta. Claro que a defesa do comércio tradicional, argumento de vendas em várias campanhas e discursos, foi defendido heroicamente. Mas pronto... no fim, perdemos a guerra.

Parece a selecção nacional de futebol. Promete-se, exulta-se, elevam-se os espíritos, e no fim nunca ganha. O município criou condições para que os desempregados e falidos do comércio tradicional tenham uma hipótese de emprego nas grandes superfícies. A malta aplaude e dá palmadinhas nas costas uns do outros. O que seria de nós sem os políticos a zelar pelos nossos interesses? Como dizia o ébrio Vasco Santana, chapéus há muitos, ó palerma.

Como metade dos conformados está a regressar de férias, antes que se entusiasmem a comparar os escaldões com pedigree do Algarve com os escaldões rafeiros da costa oeste, convém domesticá-los para o regresso ao rengo-rengo da rotina, onde vão existir durante mais um ano. Nesse sentido, a autarquia preparou dois workshops de regresso à normalidade: as piscinas que não abriram como prometido e as obras do largo do Virgínia que não arrancaram como prometido. Assim, o pessoal habitua-se imediatamente à rotina, aos velhos hábitos.

Quando a outra metade dos conformados, a ir de férias agora, regressar, haverá novos workshops preparados. Muito provavelmente os mesmos. Porque a equidade também é palavra frequente nas campanhas e discursos. Há que cumprir com o prometido.

Entretanto, para quem não participou no êxodo sazonal e ficou por cá, além de manter o lugar na fila para tirar ticket habilitador a melanoma, porque rodeado de ingleses genuínos e franceses falsos na praia, ou a comer pó, beber minis e a levar cornadas no campo, o sol é o mesmo, a festarola riachense meteu um visto nos quadradinhos todos.

Num golpe de brilhantismo, o presidente da Câmara achincalhou duramente quem teve a ousadia de criticar o evento, de onde resultaram 4 feridos. Pagar bilhete para servir de objecto de diversão de um touro bravo, num evento apoiado financeiramente e institucionalmente pela Câmara, é incriticável, na opinião dele.

Não satisfeito com este brilhantismo, decidiu incrementar lúmenes e ofuscar tudo e todos com a proposta de submeter a Festa da Bênção do Gado de........

© Jornal Torrejano